Propriedades Mecânicas. Tensões e Deformações.
Confira aqui o PodCast deste Artigo.
1. Introdução: Por que um dentista precisa saber disso?
Imagine que você acabou de fazer uma restauração linda em um dente posterior. O paciente saiu feliz. Mas, duas semanas depois, ele volta dizendo que a restauração trincou enquanto comia uma pipoca. Ou então: você colocou um aparelho ortodôntico em um adolescente, mas o fio arrebentou depois de uma semana.
O que aconteceu? Será que você fez algo errado? Nem sempre. Muitas vezes, o problema está na escolha do material ou no fato de que o material não resistiu às forças da boca.
A boca é um ambiente hostil. Nós exercemos forças enormes ao mastigar, ranger os dentes (bruxismo) ou até mesmo ao falar. Os materiais que usamos – resinas, amálgamas, cerâmicas, cimentos – precisam aguentar essas forças sem trincar, deformar ou se soltar.
Neste tópico, você vai aprender os conceitos básicos de tensão e deformação. Não se assuste com os nomes. Você verá que são ideias simples, que você já conhece da vida real. Vamos ligar cada ideia a um exemplo prático da Odontologia.
2. O que é tensão? A ideia do "peso distribuído"
2.1. Força não é tudo: a área importa!
Pense na seguinte situação: você precisa furar uma folha de papel.
- Se você empurrar o papel com o palmo da sua mão aberta, o papel não fura. A força está espalhada por uma área grande.
- Se você empurrar o papel com a ponta de um lápis afiado, usando a mesma força, o papel fura facilmente.
A força aplicada foi a mesma. O que mudou? A área de contato. Quando a força se concentra em uma área pequena, o efeito é muito maior.
Em Odontologia, chamamos esse "efeito" de TENSÃO. A tensão é a força dividida pela área.
Fórmula simples:
Tensão = Força ÷ Área
Símbolo: σ (letra grega "sigma")
Unidade: Pascal (Pa) ou Megapascal (MPa). Na Odontologia, usamos muito o MPa.
Exemplo clínico: Um pino de fibra de vidro dentro de um dente tem uma área muito pequena (mais ou menos 3 mm²). Quando o paciente morde, a força se concentra nessa área pequena, gerando uma tensão altíssima. Por isso o pino precisa ser feito de um material muito resistente.
3. O que é deformação? O material "se mexe"
Quando aplicamos uma tensão em um material, ele não fica parado. Ele muda de forma ou de tamanho. Essa mudança é a DEFORMAÇÃO.
Dois tipos principais de deformação:
3.1. Deformação elástica (volta ao normal)
- É como um elástico de cabelo. Você puxa, ele estica. Você solta, ele volta ao tamanho original.
- É uma deformação temporária e reversível.
- Exemplo clínico: quando você aperta uma moldeira de alginate na boca do paciente, o material se deforma para se adaptar, mas depois volta (parcialmente) – isso é elasticidade.
3.2. Deformação plástica (permanente)
- É como moldar massinha de modelar ou amassar uma latinha de refrigerante. Você aperta, e ela fica amassada para sempre.
- É uma deformação permanente e irreversível.
- Exemplo clínico: um fio ortodôntico que foi "esticado demais" pode não voltar ao formato original. Ou uma restauração de resina muito mole (mal polimerizada) pode afundar com a mastigação – isso é deformação plástica.
4. Os tipos de "aperto" que os materiais sofrem
Na boca, as forças podem vir de várias direções. É importante saber de onde vem o "aperto".
4.1. Tração – o "puxa-puxa"
Acontece quando as forças tentam alongar ou estourar o material. É como se você pegasse um chiclete pelas duas pontas e puxasse para os lados.
Na Odontologia:
- Quando um bráquete (peça do aparelho) é puxado pelo fio ortodôntico, a cola que prende o bráquete sofre tração.
- Os dentes da frente, quando mordem um alimento duro, também sofrem um pouco de tração.
Atenção: A maioria dos materiais dentários não gosta de tração. Eles são mais fracos quando puxados do que quando comprimidos.
4.2. Compressão – o "espreme-espreme"
Acontece quando as forças tentam esmagar ou encurtar o material. É como apertar uma bolinha de isopor entre os dedos.
Na Odontologia:
- A mastigação de um dente posterior (pré-molar ou molar) gera compressão sobre a restauração.
- Os dentes naturais são muito bons em resistir à compressão. O esmalte dentário é duro justamente para isso.
Atenção: Materiais como amálgama e cerâmica são excelentes para resistir à compressão. Por isso são usados em dentes que mastigam.
4.3. Cisalhamento – o "raspa-raspa" ou "desliza-desliza"
Acontece quando as forças tentam deslizar uma parte do material sobre a outra. É como passar uma faca sem corte sobre uma fatia de pão: ela arrasta, não corta.
Na Odontologia:
- Quando a mandíbula se move de um lado para o outro (movimentos de lateralidade), os dentes e as restaurações sofrem cisalhamento.
- É o tipo de força mais perigoso para a união entre o dente e a restauração. Se a restauração "deslizar" em relação ao dente, ela pode se soltar.
4.4. Flexão – o "dobra-dobra"
Acontece quando o material é forçado a curvar. Imagine uma régua de plástico: você segura pelas pontas e empurra no meio. A parte de cima da régua estica (tração) e a parte de baixo comprime (compressão).
Na Odontologia:
- Uma ponte fixa de três elementos, quando o paciente morde no meio, sofre flexão.
- Uma prótese parcial removível (com grampos) também se flexiona durante a mastigação.
5. O gráfico mais importante da sua vida (por enquanto): Tensão × Deformação
Os engenheiros e dentistas pesquisadores criaram um jeito de visualizar como um material se comporta. Eles fazem um gráfico onde:
- No eixo vertical (y) colocamos a Tensão (quanto aperta).
- No eixo horizontal (x) colocamos a Deformação (quanto estica ou comprime).
Esse gráfico se chama Diagrama Tensão-Deformação. Vamos entender suas partes usando uma analogia: o elástico da calça jeans.
5.1. Região elástica: a "zona do elástico"
Quando você começa a puxar um elástico de calça:
- No começo, ele estica, mas se você soltar, ele volta.
- Nessa região, o material obedece a uma regra simples: quanto mais você aperta (tensão), mais ele estica (deformação).
Chamamos essa regra de Lei de Hooke (homenagem a um cientista). A relação é:
Tensão = (um número) × Deformação
Esse "número" é o Módulo de Elasticidade (ou Módulo de Young). Ele mede a rigidez do material.
- Módulo alto → material rígido, difícil de deformar. Exemplo: cerâmica, esmalte do dente.
- Módulo baixo → material flexível, deforma fácil. Exemplo: borracha de moldagem, silicone.
Exemplo clínico: O fio de aço inoxidável para aparelho ortodôntico tem módulo de elasticidade alto (é rígido). O fio de níquel-titânio (NiTi) tem módulo mais baixo (é mais flexível). Por isso o NiTi é usado no começo do tratamento, para movimentos suaves.
5.2. Limite elástico: o "ponto de não retorno"
Existe um ponto, no gráfico, em que o material "desiste" de ser elástico. Se você passar desse ponto, ao soltar, ele não volta mais ao formato original. Esse é o limite elástico.
- Antes do limite elástico → deformação temporária (elástica).
- Depois do limite elástico → deformação permanente (plástica).
Exemplo clínico: Se um fio ortodôntico for dobrado além do seu limite elástico, ele não vai "lembrar" a forma original. Ele vai ficar amassado. Por isso os fabricantes dizem: "não dobre o fio além de 90 graus".
5.3. Região plástica e fratura
Se continuarmos puxando o material depois do limite elástico, entramos na região plástica. O material se deforma permanentemente.
- Materiais dúcteis (como metais e alguns fios) têm uma região plástica longa. Eles esticam muito antes de arrebentar. São como chicletes.
- Materiais frágeis (como cerâmica, cimento, vidro) têm região plástica muito curta ou inexistente. Eles esticam pouco e arrebentam de repente. São como biscoito de polvilho.
Finalmente, chega um ponto em que o material fratura (quebra). A tensão máxima que o material aguenta antes de quebrar é a resistência máxima do material.
Exemplo clínico: Uma cerâmica pura (como porcelana) é frágil. Se você tentar entortar uma coroa de porcelana, ela não vai entortar – ela vai estalar de repente. Por isso as cerâmicas modernas têm materiais mais "macios" misturados para dar um pouco de ductilidade.
6. Outras propriedades importantes (de forma simples)
6.1. Ductilidade – o material "estica bem"?
É a capacidade de sofrer deformação plástica sem quebrar. Metais como ouro e titânio são muito dúcteis.
Na Odontologia: Fios ortodônticos precisam ser dúcteis o bastante para serem dobrados pelo dentista sem quebrar.
6.2. Resiliência – o material "absorve pancada"?
É a capacidade de absorver energia sem se deformar permanentemente. Materiais resilientes são como molas.
Na Odontologia: Um fio ortodôntico resiliente consegue aplicar uma força constante sobre o dente por muito tempo, sem perder a forma.
6.3. Tenacidade – o material "é durão"?
É a capacidade de absorver energia até quebrar. Um material tenaz é difícil de quebrar porque ele "absorve" o impacto.
Na Odontologia: O amálgama dental é mais tenaz que a cerâmica pura. Por isso, em áreas de muito impacto (dentes posteriores), o amálgama foi muito usado. Hoje, as resinas compostas modernas são mais tenazes que as antigas.
6.4. Dureza – o material "risca ou é riscado"?
Dureza é a resistência ao riscamento ou à penetração. Não é exatamente a mesma coisa que resistência.
Na Odontologia: O esmalte do dente é muito duro (por isso risca o metal). A dentina é menos dura. Materiais de restauração precisam ter dureza semelhante ao dente para não desgastar o dente adversário.
7. Comportamento especial: materiais "borrachudos lentos" (viscoelasticidade)
Alguns materiais dentários não são nem sólidos perfeitos (como metal) nem líquidos. Eles têm um comportamento viscoelástico. Palavra difícil, mas ideia simples:
Viscoelasticidade = o material se comporta de um jeito se você apertar devagar, e de outro jeito se você apertar rápido.
- Se você apertar devagar → o material flui, se deforma bastante.
- Se você apertar rápido (impacto) → o material fica duro e pode quebrar.
Exemplos na Odontologia:
- Material de moldagem (alginato ou silicone): se você puxar rápido, ele rasga. Se puxar devagar, ele se solta da boca sem rasgar.
- Resina composta: sob mastigação repetida, ela pode sofrer fluência (afundar lentamente). Por isso, após anos, uma restauração pode perder o contato com o dente vizinho.
- Cimento de ionômero de vidro: também sofre fluência. Não é indicado para áreas de alta carga sozinho.
8. Ligando a teoria à prática clínica: 4 exemplos diretos
Exemplo 1: Por que uma restauração de resina trinca?
Imagine que você fez uma restauração de resina em um dente anterior (da frente). O paciente morde um pedaço de pão duro. A força de tração e flexão se concentra na base da restauração. Se a resina for frágil ou tiver uma bolha interna (defeito), ela trinca de repente. Por isso os fabricantes melhoram a tenacidade das resinas.
Exemplo 2: Qual fio ortodôntico usar?
- Fase inicial (alinhamento): use fio de níquel-titânio (NiTi). Ele tem baixo módulo de elasticidade (é flexível) e grande deformação elástica. Ele consegue entortar muito e ainda voltar ao normal, movendo os dentes com força suave.
- Fase final (torque e detalhes): use fio de aço inoxidável. Ele tem alto módulo de elasticidade (rígido) e consegue aplicar forças precisas para rotacionar dentes.
Exemplo 3: Cimentar uma coroa cerâmica
A cerâmica é frágil e resiste mal à tração. Se você cimentar uma coroa cerâmica sobre um dente que tem uma borda muito fina ou um ângulo vivo, a mastigação vai gerar uma concentração de tensão de tração na cerâmica, e ela vai trincar. Por isso as coroas cerâmicas precisam de um preparo dental com bordas arredondadas e um cimento resinoso que "absorva" um pouco da tensão.
Exemplo 4: Fluência em restauração de resina posterior
Após 5 anos de mastigação, você observa que a restauração de resina de um molar está baixa (afundada) e o dente vizinho está com acúmulo de alimento. Isso é fluência. A resina deformou lentamente com o tempo. Por isso hoje usamos resinas com alta carga de partículas cerâmicas para reduzir a fluência.
9. Fatores que mudam o comportamento do material (atenção!)
Na boca, as coisas não são como no laboratório. Vários fatores alteram as propriedades mecânicas:
| Fator | O que acontece? | Exemplo clínico |
|---|---|---|
| Temperatura | Materiais ficam mais moles e menos rígidos quando aquecidos | Resina composta quente durante a moldagem? Não faça isso. |
| Velocidade da força | Forças rápidas (impacto) podem quebrar materiais que suportariam forças lentas | Uma pancada no dente pode fraturar uma restauração que aguentaria mastigação normal. |
| Defeitos internos | Bolhas, trincas ou partículas mal unidas concentram tensão | Uma bolha dentro de uma cerâmica pode iniciar uma trinca. Por isso os técnicos fazem cerâmicas sem bolhas. |
| Umidade/saliva | Água pode degradar alguns materiais com o tempo | Cimentos de ionômero de vidro perdem resistência se ficarem muito úmidos antes de endurecer. |
10. Resumo para o aluno de 1º semestre (guia rápido)
| Conceito | O que significa? (em português claro) | Exemplo odontológico |
|---|---|---|
| Tensão | Força dividida pela área (quanto aperta concentrado) | Pino fino dentro do dente sofre alta tensão. |
| Deformação | Quanto o material estica, comprime ou entorta | Fio ortodôntico que alonga 0,2 mm. |
| Elasticidade | Volta ao normal após tirar a força | Elástico da moldagem. |
| Plasticidade | Fica deformado para sempre | Massinha de modelar; fio amassado. |
| Módulo de elasticidade | Rigidez do material (difícil de deformar?) | Cerâmica é rígida (módulo alto); silicone é mole (módulo baixo). |
| Limite elástico | O ponto onde começa a deformação permanente | "Até aqui pode, passou disso, estragou". |
| Ductilidade | Estica muito antes de quebrar | Fios de aço ortodôntico. |
| Fragilidade | Quebra de repente, sem aviso | Porcelana, cimento, vidro. |
| Viscoelasticidade | Comporta-se diferente se apertar devagar ou rápido | Alginato (puxar devagar ou rápido muda tudo). |
| Fluência | Deformação lenta e contínua sob carga constante | Restauração de resina que afunda após anos. |
11. Para pensar
-
Se você tem um dente com cárie muito grande, você prefere fazer uma restauração com um material muito rígido (como cerâmica) ou com um material um pouco mais flexível (como resina composta)? Por quê?
-
Um paciente com bruxismo (range os dentes à noite) aplica forças muito altas e repetidas. Que propriedade mecânica é mais importante para a restauração desse paciente: alta resistência à compressão, alta tenacidade ou alta ductilidade? Por quê?
-
Por que os dentistas evitam fazer ângulos vivos (em "V") no preparo de um dente para receber uma restauração de cerâmica?
-
Você precisa escolher um material para fazer um pino intra-radicular (dentro da raiz). O pino vai receber força de mastigação. Você escolhe um material com módulo de elasticidade igual ao da dentina (20 GPa) ou muito maior (como 200 GPa)? Justifique.
-
Dê um exemplo de situação clínica em que a deformação plástica é desejada (queremos que o material deforme permanentemente).
12. Considerações finais
Você acabou de dar o primeiro passo para entender por que os materiais dentários se comportam como se comportam. Não se preocupe se ainda não decorou todas as fórmulas. O mais importante agora é você reconhecer os conceitos e associar cada um a uma situação clínica.
Quando você estiver no consultório, daqui a alguns anos, não vai precisar calcular tensão de cabeça. Mas você vai olhar para uma restauração trincada e pensar: "Ah, isso foi falha por tração em um material frágil, provavelmente o preparo tinha um ângulo vivo."
É esse raciocínio clínico que faz a diferença entre um profissional que apenas "faz restaurações" e um profissional que compreende os materiais que usa.
Continue praticando com os exemplos do dia a dia. Pegue um elástico, uma massinha, um pedaço de giz e tente aplicar essas ideias. A Mecânica dos Materiais está em toda parte – inclusive na ponta da sua caneta e na borracha que apaga.
Bibliografia
ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Ciência dos materiais dentários. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.
ASKELAND, D. R.; WRIGHT, W. J. Ciência e engenharia dos materiais. São Paulo: Cengage Learning, 2015.
CALLISTER, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e engenharia dos materiais: uma introdução. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016.
CRAIG, R. G.; POWERS, J. M.; SAKAGUCHI, R. L. Materiais dentários restauradores. 13. ed. São Paulo: Santos, 2012.
FERRACANE, J. L. Resin composite – state of the art. Dental Materials, Amsterdam, v. 27, n. 1, p. 29-38, jan. 2011.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 4049: Dentistry – Polymer-based restorative materials. Geneva: ISO, 2019.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 6872: Dentistry – Ceramic materials. Geneva: ISO, 2015.
MCCABE, J. F.; WALLS, A. W. G. Materiais dentários aplicados. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
ÖZCAN, M.; VALLITTU, P. K. Effect of surface conditioning methods on the bond strength of luting cement to ceramics. Dental Materials, Amsterdam, v. 19, n. 8, p. 725-731, nov. 2003.
SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS (ASTM). ASTM D638: Standard test method for tensile properties of plastics. West Conshohocken: ASTM International, 2014.
THOMPSON, V. P. The fracture toughness of dental ceramics. Journal of the American Dental Association, Chicago, v. 135, p. 12S-18S, set. 2004.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Faculdade de Odontologia de Bauru. Apostila de materiais dentários – Módulo de propriedades mecânicas. Bauru: FOB-USP, 2021.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Faculdade de Odontologia de Piracicaba. Introdução aos materiais dentários: Propriedades mecânicas (Notas de aula). Piracicaba: FOP-UNICAMP, 2022.
VAN NOORT, R. Introdução aos materiais dentários. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
Leia mais...


Glossário
- Tensão (σ): É o efeito da força distribuída por uma determinada área, calculada pela fórmula Tensão = Força ÷ Área.
- Pascal (Pa) / Megapascal (MPa): Unidades de medida utilizadas para expressar a tensão, sendo o MPa a unidade mais comum na Odontologia.
- Deformação: Mudança de forma ou de tamanho que ocorre em um material quando uma tensão é aplicada sobre ele.
- Deformação Elástica: Tipo de deformação temporária e reversível; o material retorna ao seu formato original assim que a força é removida.
- Deformação Plástica: Tipo de deformação permanente e irreversível; o material permanece alterado mesmo após a remoção da força.
- Tração: Forças que atuam em direções opostas tentando alongar, puxar ou estourar o material.
- Compressão: Forças que tentam esmagar, encurtar ou espremer o material.
- Cisalhamento: Forças que tentam fazer com que uma parte do material deslize sobre a outra, comum em movimentos de lateralidade da mandíbula.
- Flexão: Esforço que força o material a se curvar, gerando tração em uma face e compressão na face oposta.
- Diagrama Tensão-Deformação: Gráfico que visualiza o comportamento de um material, relacionando a tensão aplicada (eixo vertical y) com a deformação resultante (eixo horizontal x).
- Lei de Hooke: Regra que estabelece que, na região elástica, a tensão é proporcional à deformação (Tensão = Módulo de Elasticidade × Deformação).
- Módulo de Elasticidade (ou Módulo de Young): Medida da rigidez de um material; quanto maior o valor, mais rígido é o material e mais difícil de deformar.
- Limite Elástico: O ponto exato no qual o material deixa de sofrer deformação elástica e passa a sofrer deformação permanente (plástica).
- Ductilidade: Capacidade de um material sofrer grande deformação plástica (esticar ou ser dobrado) antes de chegar à fratura.
- Fragilidade: Propriedade de materiais que quebram subitamente com pouca ou nenhuma deformação plástica prévia.
- Resistência Máxima: A tensão máxima que um material é capaz de suportar antes de sofrer fratura.
- Resiliência: Capacidade do material de absorver energia sem que ocorra deformação permanente.
- Tenacidade: Capacidade de um material absorver energia até o momento da sua quebra ou fratura total.
- Dureza: Resistência da superfície de um material ao riscamento ou à penetração por outro objeto.
- Viscoelasticidade: Comportamento de materiais que reagem de forma distinta dependendo da velocidade com que a força é aplicada (rápida ou lenta).
- Fluência (Creep): Fenômeno de deformação lenta, gradual e contínua que ocorre em um material quando este é submetido a uma carga constante por longos períodos.

